Psicoeducação sobre AH/SD - Altas Habilidades/Superdotação: Assincronia do Desenvolvimento e Sobre-excitabilidades
- 14 de jun.
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Atualizado: 16 de jun.
As AH/SD - Altas Habilidades/Superdotação caracterizam-se pela presença de capacidades significativamente acima da média em uma ou mais áreas do funcionamento humano, podendo envolver habilidades intelectuais, acadêmicas, criativas, artísticas, psicomotoras ou de liderança. Atualmente, compreende-se que a superdotação não se restringe ao elevado desempenho intelectual, mas envolve um padrão complexo de desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental.
Um dos conceitos centrais para a compreensão das AH/SD é o de assincronia do desenvolvimento. Segundo Silverman (1997), a superdotação pode ser compreendida como uma condição em que diferentes áreas do desenvolvimento evoluem em ritmos distintos. Dessa forma, uma pessoa pode apresentar raciocínio abstrato, capacidade de aprendizagem e compreensão muito avançados, enquanto suas habilidades emocionais, sociais, organizacionais ou adaptativas seguem um ritmo de desenvolvimento diferente.
A assincronia não deve ser entendida como déficit ou atraso, mas como uma característica inerente ao desenvolvimento de muitas pessoas com AH/SD. Essa discrepância pode gerar experiências de frustração, sentimento de inadequação, dificuldades de pertencimento social e desafios relacionados à autorregulação emocional. Em adultos, a assincronia pode manifestar-se por meio da coexistência de elevada capacidade intelectual com dificuldades na gestão do tempo, perfeccionismo, procrastinação, sensibilidade interpessoal ou exaustão decorrente de demandas ambientais incompatíveis com suas necessidades cognitivas e emocionais.
Outro conceito frequentemente associado às AH/SD é o de sobre-excitabilidade, proposto por Dabrowski dentro da Teoria da Desintegração Positiva. As sobre-excitabilidades referem-se a uma maior intensidade na forma de perceber, processar e responder aos estímulos internos e externos. Não representam transtornos ou sintomas clínicos, mas padrões de funcionamento frequentemente observados em indivíduos superdotados.
As sobre-excitabilidades podem ocorrer em cinco domínios:
Intelectual: marcada por intensa curiosidade, necessidade de compreender profundamente os fenômenos, pensamento analítico, questionamentos frequentes e busca constante por conhecimento.
Emocional: caracterizada por elevada intensidade afetiva, empatia acentuada, sensibilidade interpessoal, forte senso de justiça e profundidade emocional.
Sensorial: refere-se à maior sensibilidade a sons, luzes, texturas, cheiros, sabores ou outros estímulos ambientais.
Imaginativa: associada à criatividade, fantasia, riqueza de imagens mentais e pensamento simbólico.
Psicomotora: relacionada a elevados níveis de energia, necessidade de movimento, rapidez de pensamento e ação.
Embora estudos indiquem que indivíduos com AH/SD tendem a apresentar escores mais elevados em algumas dimensões das sobre-excitabilidades, especialmente na esfera intelectual, revisões recentes sugerem cautela ao considerar essas características como marcadores diagnósticos da superdotação. Atualmente, entende-se que as sobre-excitabilidades devem ser compreendidas como descritores fenomenológicos úteis para a compreensão da experiência subjetiva dessas pessoas, e não como critérios diagnósticos isolados.
Na vida cotidiana, a combinação entre assincronia do desenvolvimento e sobre-excitabilidades pode contribuir para características frequentemente observadas em indivíduos com AH/SD, tais como perfeccionismo, elevada autocrítica, sensibilidade a injustiças, necessidade de aprofundamento intelectual, dificuldade em manter interesse por atividades repetitivas, sensação de inadequação social, sobrecarga emocional e desgaste decorrente de intensa atividade mental.
Compreender essas características favorece o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de autocuidado, organização, manejo emocional e gestão de energia. O reconhecimento das próprias potencialidades e vulnerabilidades permite que o indivíduo construa formas mais adaptativas de interação com o ambiente, promovendo melhor qualidade de vida, maior equilíbrio emocional e aproveitamento saudável de seus recursos cognitivos.
Para mais informações, leia também:
DABROWSKI, K. Positive Disintegration. Boston: Little, Brown, 1964.
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Observação técnica: atualmente, as referências de Silverman (1997) para assincronia do desenvolvimento e de Dabrowski/Piechowski para sobre-excitabilidades continuam sendo as mais citadas internacionalmente quando se discute o funcionamento socioemocional de pessoas com AH/SD. Entretanto, a literatura contemporânea recomenda cautela em tratar as sobre-excitabilidades como características universais ou critérios de identificação da superdotação. (submissoesrevistarcmos.com.br)
A Alta Habilidade/Superdotação constitue uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por potencial elevado e desempenho significativamente superior em uma ou mais áreas do funcionamento humano. Não configura transtorno mental, doença ou condição patológica, não possuindo classificação diagnóstica específica nos sistemas nosológicos vigentes, como o DSM-5-TR e a CID-11.


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