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  • LIVRO: O Oráculo da Noite

    SIDARTA RIBEIRO é mestre em biofísica pela UFRJ, doutor em comportamento animal pela Universidade Rockefeller, pós-doutor em neurofisiologia pela Universidade Duke, professor titular de neurociência, fundador e vice-diretor do Instituto do Cérebro da UFRN. Publicou mais de cem artigos científicos em periódicos internacionais. Como dar sentido a tantos símbolos, a tamanha riqueza de detalhes? Como explicar a repetição tão fidedigna de enredo? O que dizer do surgimento e do desaparecimento tão repentinos dessa série onírica? Como lidar com pesadelos recorrentes que geram até medo de adormecer? Dar respostas a essas perguntas exige compreender as origens e funções do sonho. Experimentamos durante a vigília — de dia ou de noite, mas de olhos bem abertos — uma sucessão de imagens, sons, gostos, cheiros e toques. Despertos, vivemos sobretudo fora da mente, pois nossos atos e percepções estão ligados ao mundo além de nós. E então, com maior ou menor periodicidade — de noite ou de dia, mas de olhos bem fechados —, entramos naquele estado de inconsciência em que a tela da realidade se apaga. Desse sono tão familiar e reparador pouco nos lembramos, e por isso é comum pensar que se trata de uma ausência completa de pensamentos. O sono se apresenta como uma não vida, uma “pequena morte” cotidiana, embora isso não seja verdade. Hipnos, o deus grego do sono, é irmão gêmeo de Tânatos, o deus da morte, ambos filhos da deusa Nix, a Noite. Transitório e em geral prazeroso, Hipnos é profundamente necessário à saúde mental e física de qualquer pessoa. Algo muito diferente acontece durante o curioso estado de viver para dentro a que chamamos sonho. Ali reina Morfeu, que dá forma aos sonhos. Irmão de Hipnos segundo o poeta grego Hesíodo, ou filho de Hipnos segundo o poeta romano Ovídio, Morfeu leva aos reis as mensagens dos deuses e lidera uma multidão de irmãos, os Oneiros. Esses espíritos de asas escuras emergem a cada noite através de dois portões, um feito de chifre e outro de marfim, como morcegos em revoada. Quando cruzam o portão de chifre — que, quando adelgaçado, é transparente como o véu que recobre a verdade —, geram sonhos proféticos de origem divina. Quando passam pelo portão de marfim — sempre opaco mesmo quando reduzido a espessura mínima —, provocam sonhos enganadores ou desprovidos de sentido. Se os antigos se deixavam guiar pelos sonhos, a intimidade dos contemporâneos com eles é bem menor. Quase todos sabem o que o sonho é, mas poucos se lembram dele ao despertar de manhã. O sonho em geral nos aparece como um filme de duração variável, muitas vezes de início indefinido, mas quase sempre levado até um desfecho conclusivo. Numa definição preliminar, o sonho é um simulacro da realidade feito de fragmentos de memórias. Dele participamos normalmente como protagonistas, o que não significa que tenhamos controle sobre a sucessão de eventos que perfazem o enredo onírico. Por atuarmos nele sem conhecer seu roteiro e direção, muitas vezes experimentamos surpresa e até mesmo euforia durante o sonho. Da mesma forma, é comum que o sonho encene situações de grande frustração ou decepção. Apesar de refletir as preocupações do sonhador, o curso do sonho é quase sempre imprevisível. A lógica dos eventos é fluida e errática em comparação com a realidade. A sucessão de imagens se caracteriza por descontinuidades e cortes abruptos que não experimentamos na vida desperta. Nos sonhos um personagem ou lugar pode se transformar em outro com incrível naturalidade, revelando o poder de transmutação das representações mentais. O encadeamento entrecortado dos símbolos determina um tempo caracterizado por lapsos, fragmentações, condensações e deslocamentos, gerando camadas de significado múltiplas e até mesmo díspares. O arco de possibilidades do sonho é vastíssimo, beirando o insólito, o inverossímil e o caótico. A interpretação de um sonho pressupõe a compreensão profunda do contexto real e emocional do próprio sonhador, e pode ser extremamente transformadora. FONTE: Ribeiro, Sidarta. O Oráculo da Noite: a história e a ciência do sonho. 1ª Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. #Inconsciente #Neurociências #Sonhos #Interpretação #Sono #Vigília #Sidarta #Oráculo #Ciência #Jung #Mito #Memória #Saúde #Física #Mental #Morte #Medo #Olhos #Fechados #REM #Noite #Dia #Símbolos #Simbologia #Hipnos

  • OMS DIVULGA ORIENTAÇÃO SOBRE CUIDADOS DE SAÚDE MENTAL

    (Tradução Livre) Novo Protocolo Clínico e Diretrizes para permitir cuidados efetivos à saúde mental de adultos e crianças expostos a traumas e perdas 6 agosto 2013|GENEBRA - A OMS está lançando novos protocolos clínicos e diretrizes para os profissionais de saúde para o tratamento em saúde mental das conseqüências de traumas e perdas. Os distúrbios mentais são comuns, incapacitantes e geralmente não tratados, e o "Programa de Ação Global de Saúde Mental" - mhGAP - da OMS foi desenvolvido em 2008 para aumentar o atendimento de transtornos mentais, neurológicos e de uso de substâncias com protocolos de tratamento simples que podem ser oferecidos no Atendimento Primário à Saúde tanto por médicos quanto por enfermeiros. Novos Protocolos de Cuidados para Transtorno de Estresse Pós-Traumático e outros Agora, a OMS está ampliando este programa, incluindo cuidados para Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), estresse agudo e falecimento dentro de seu programa global. "Recebemos inúmeros pedidos de orientação para cuidados de saúde mental após traumas e perdas", diz o Dr. Oleg Chestnov, Subdiretor-Geral da OMS para Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental. "Os provedores de Atendimento Primário à Saúde, agora poderão oferecer suporte básico consistente com a melhor evidência disponível. Eles também aprenderão quando encaminhar a um tratamento mais avançado". Eventos Traumáticos e Perda de uma experiência comum Eventos Traumáticos e Perda são comuns na vida das pessoas. Em um estudo anterior da OMS em 21 países, mais de 10% dos entrevistados relataram serem testemunhas de violência (21,8%) ou sofrer violência interpessoal (18,8%), acidentes (17,7%), exposição a guerra (16,2%) ou trauma a um ente querido (12,5%). Estima-se que 3,6% da população mundial sofreu Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) no ano anterior em que o estudo foi apresentado. Utilizando o novo protocolo, que é co-publicado com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), os trabalhadores do Atendimento Primário à Saúde podem oferecer apoio psicossocial básico aos refugiados, bem como às pessoas expostas a traumas ou perdas em outras situações. Os tipos de apoio oferecidos podem incluir primeiros socorros psicológicos, gerenciamento do estresse e assistência às pessoas necessitadas a identificar e fortalecer alguns métodos de enfrentamento positivos e apoios sociais. Além disso, referência para tratamentos avançados, como Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou uma nova técnica chamada Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares (EMDR) deve ser considerada para pessoas que sofrem de TEPT. Essas técnicas ajudam as pessoas a reduzir recordações intensas, indesejadas e repetidas de eventos traumáticos. Mais treinamento e supervisão são recomendados para tornar estas técnicas mais amplamente disponíveis. Advertências contra alguns tratamentos populares Equipe de Atendimento Primário à Saúde também é advertida contra determinados tratamentos populares. Por exemplo, os benzodiazepínicos, que são drogas anti-ansiedade, não devem ser oferecidos para reduzir os sintomas de estresse traumático agudo ou problemas de sono no primeiro mês após um evento potencialmente traumático. "O TEPT precisa ser gerenciado juntamente com outros transtornos mentais comuns", o Dr. Mark van Ommeren, cientista do Departamento de Saúde Mental da OMS e Abuso de Substâncias. "Este novo e simples protocolo de tratamento OMS-ACNUR orientará os profissionais de saúde em todo o mundo a ajudarem adultos e crianças que sofrem de condições especificamente relacionadas ao estresse". As novas diretrizes e protocolo foram publicados hoje em um artigo no "The Journal of the American Medical Association". Informação adicional Não há evidências sobre os benefícios dos benzodiazepínicos, um medicamento comum contra a ansiedade, nos sintomas do estresse traumático após um recente evento potencialmente traumático. Os benzodiazepínicos podem retardar o tempo de recuperação de eventos potencialmente traumáticos. Principais preocupações sobre o uso de benzodiazepínicos são que muitas pessoas desenvolvem tolerância aos seus efeitos, ganham pouco benefício terapêutico do consumo crônico, tornam-se dependentes deles e sofrem síndrome de abstinência quando param de tomá-los. Assim, a recomendação da OMS é que os benzodiazepínicos não devem ser oferecidos aos adultos para reduzir os sintomas de estresse traumático agudo associados a comprometimento significativo no funcionamento diário no primeiro mês após um evento potencialmente traumático. A recomendação da OMS também menciona que os benzodiazepínicos podem ser usados em outros distúrbios mentais. FONTE: https://www.who.int/mediacentre/news/releases/2013/trauma_mental_health_20130806/en/ #OMS #WHO #saudemental #protocolo #diretrizes #mhGAP #ACNUR #TEPT #PTSD #atençaoprimaria #atendimentoprimario #transtorno #disorder #EMDR #trauma #eventotraumatico #estresse #stress #perda #luto #falecimento #benzodiazepinico

  • Entrevista com um dos maiores especialistas em Autismo no Brasil, Dr José Salomão Schwartzman

    Realizada no dia 21 de abril de 2020. Entenda sobre a atual prevalência, tratamento, mitos e como diagnosticar crianças e adultos que não sabiam que eram autistas. FONTE: https://youtu.be/a57ItY3OCkE #autismo #TEA #autism #ASD #neuropediatra #neuro #josesalomaoschwartzman #schwartzman #infantil #diagnostico #multidisciplinar

  • O Ciclo Vigília-Sono e outros Ritmos Biológicos - A Consciência Regulada

    A repetição diária do ato de dormir é o mais conhecido dos ritmos da vida. Todos os vertebrados o apresentam. No entanto, existem muitos outros ritmos: de atividade motora, de desempenho cognitivo, de temperatura corporal, secreção hormonal, atividades reprodutoras e assim por diante. São atividades e funções que se repetem periodicamente, em geral sincronizadas com ciclos da natureza. A sincronia entre o organismo e a natureza, podemos bem imaginar, apresenta grande valor adaptativo para todos. Mas a questão maior é a seguinte: quem gera os ritmos? E quem os sincroniza com os ciclos naturais? A resposta: os organismos têm osciladores naturais, conjuntos de células cujas funções variam em ciclos, espontaneamente. Nos animais superiores, muitos desses osciladores ficam no sistema nervoso, constituídos por neurônios especiais que disparam sinais de modo periódico. Esses “relógios biológicos” recebem informações do ambiente, e desse modo a sua oscilação espontânea fica acoplada aos ciclos ambientais. No hipotálamo está o relógio dos ritmos do dia a dia (circadianos); no epitálamo fica o relógio dos ritmos sazonais (circanuais). O mais conhecido dos ritmos é o ciclo vigília-sono, que nada mais é do que uma oscilação do nível geral de atividade do sistema nervoso: maior atividade durante a vigília, menor durante o sono (o que não quer dizer que durante o sono não haja atividade neural - há muita!). Regulam este ciclo os sistemas moduladores difusos, conjuntos de neurônios - cada um deles com neuromediadores diferentes - que emitem extensos e longos axônios que estabelecem sinapses em grandes territórios do córtex cerebral e regiões subcorticais, do tálamo à medula espinhal. Por ação dos sistemas moduladores difusos, ao final do dia adormecemos: nossa consciência apaga-se e mergulhamos no inconsciente, os músculos repousam, as funções orgânicas ficam mais lentas e pausadas. O eletroencefalograma - EEG - indica que atravessamos gradualmente os estágios do sono de ondas lentas. Subitamente, o EEG faz crer que vamos acordar: engano, entramos em um segundo estado, o sono paradoxal, no qual nos movemos pouco mas sonhamos muito. O sono de ondas lentas é regulado por sistemas neuronais situados no tronco encefálico: alguns deles controlam a passagem de informação para o córtex, através do tálamo. O sono paradoxal tem outro mecanismo, que envolve neurônios diferentes do tronco encefálico. Ao final de tudo, o indivíduo desperta e a vigília é restabelecida. Ninguém sabe a utilidade do sono. As teorias existentes ainda não foram confirmadas cientificamente. Mas uma coisa é certa: o sono é necessário, não podemos viver sem ele. Não podemos tê-lo de menos (insônias) nem demais (hipersônias). Estamos destinados a passar um terço de nossas vidas dormindo. FONTE: Livro: LENT, Roberto. Cem Bilhões de Neurônios? Conceitos fundamentais de neurociência. 2ª Edição. São Paulo: Editora Atheneu, 2010. #sono #vigilia #insonia #hipersonia #circadiano #circanual #EEG #ondaslentas #neurociências #neuropsicologia #sistemanervoso #neurologista #neurocirurgião #neuropsicólogo #neurocientista #consciencia #neurônio #RobertoLent

  • Psicocirurgia: um Bisturi Corta a Mente

    Autora: Suzana Herculano-Houzel - Professora-adjunta do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro Se o cérebro é a origem ou um mero intermediário das ações da mente, ainda há quem duvide que a Neurociência consiga determinar. Mas, seja o cérebro seu criador ou apóstolo, quando a mente não vai bem é ele o culpado mais provável. Dessa lógica, combinada a uma descoberta com a experimentação animal, nasceu no começo do século 20 a psicocirurgia. Intervenções cirúrgicas para tratar distúrbios mentais não são uma invenção recente. Trepanações eram realizadas no Egito Antigo há quatro mil anos, e depois na Idade Média e no Renascimento, como mostram quadros pintados nessas épocas. Nos séculos 17, 18 e 19, as doenças mentais eram “tratadas” aplicando-se à cabeça remédios variados como água fria e “contrairritantes”, substâncias diversas que criavam pústulas que deixariam escapar do cérebro os “vapores negros” da doença. No começo do século 20, o uso terapêutico da febre induzida entrou em voga, e rendeu até o prêmio Nobel de 1927 ao austríaco Wagner von Jauregg (1862-1930), que tratava a “demência paralítica” — provavelmente sífilis do sistema nervoso — com a inoculação do protozoário causador da malária. A invenção do século 20, a esse respeito, foi a destruição de regiões do cérebro para aliviar distúrbios psiquiátricos severos e intratáveis. Chamava-se “psicocirurgia”. Ou, para seus partidários, “cirurgia psiquiátrica”. E para seus oponentes, “mutilação cerebral com o objetivo de facilitar o trato com pacientes psiquiátricos, tomando-os emocional e intelectualmente obtusos”. O responsável pela disseminação da psicocirurgia como tratamento psiquiátrico foi o neurocirurgião português Egas Moniz ( 1874-1955). Não foi ele, no entanto, o primeiro a operar o cérebro humano com esse objetivo: o suíço Gottlieb Burckhardt o fizera no fim do século 19, e foi forçado a interromper suas operações. Mas na década de 1930 o cenário era outro. A psiquiatria vinha se mostrando incapaz de tratar distúrbios mentais graves. A teoria de Cannon-Bard recebia bastante atenção, argumentando que o córtex cerebral, e os lobos frontais em particular, exerciam controle sobre os centros do tronco encefálico, responsáveis pelas emoções primitivas. Egas Moniz era um neurologista muito respeitado, já com 61 anos. Embora o cirurgião português declarasse que a ideia lhe ocorrera antes, a passagem à prática certamente foi influenciada por um simpósio muito concorrido sobre os lobos frontais, realizado durante o Congresso Internacional de Neurologia em Londres, agosto de 1935. Os americanos Carlyle Jacobsen e John Fulton apresentaram dados de experimentos com a chimpanzé Becky, um animal agressivo que se tornara dócil após a ablação dos dois lobos frontais. Depois da apresentação, Moniz perguntou a Jacobsen e Fulton se esse procedimento poderia ser testado em humanos para o tratamento da ansiedade. Seu raciocínio era que as doenças mentais são causadas por “ideias fixas” cujos circuitos se encontram nos lobos frontais. Os palestrantes ficaram alarmados. Mas Moniz achou que a ideia era boa, e três meses mais tarde, em novembro, realizou a primeira operação, numa ex-prostituta sifilítica considerada psicótica. Moniz usou o leucótomo, um instrumento para cortar as fibras da substância branca dos lobos frontais. Dois meses mais tarde, ele a declarou “curada”. O próprio Moniz cunhou o termo “psicocirurgia”, além da palavra “leucotomia”, que descrevia sua operação. Do outro lado do Atlântico, o americano Walter Freeman (1895-1972), que também havia assistido a palestra de Jacobsen e Fulton, e seu colaborador James Watts (1904-1994) começaram a operar pacientes psiquiátricos já em 1936. Freeman acreditava que a “lobotomia”, sua versão do procedimento de Moniz, interrompia a conexão dos lobos frontais com os circuitos da emoção. Freeman e Watts foram os principais responsáveis pela popularização da lobotomia, que chegou a ser amplamente usada no Brasil. Freeman sugeria mesmo ensinar a psiquiatras o procedimento transorbital que eles desenvolveram (através do fino osso que forma a cavidade orbital do olho) para empregá-lo até mesmo “no consultório”. Moniz recebeu o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 1949 — ano em que também recebeu quatro tiros de um paciente paranoico, não leucotomizado, e teve de abandonar a prática. Em breve, nos anos 1950, a psicocirurgia começou a declinar com a introdução do tratamento farmacológico da esquizofrenia com a droga clorpromazina, e o rápido desenvolvimento de outras drogas psicoativas, proporcionando um tratamento mais “ameno” em comparação à irreversibilidade e à destrutividade da psicocirurgia. Nos anos 1970, no entanto, voltou-se a falar da psicocirurgia. Cogitava-se sua aplicação como terapia permanente para criminosos. Em resposta, os estados da Califórnia e do Oregon, nos EUA, passaram leis restringindo seu uso. A questão da psicocirurgia vai além das indagações acerca da sua eficácia. Ela pode ser eficiente tendo-se em conta seus objetivos — mas à custa de reduzir irreversivelmente o potencial criativo do paciente, e a sua capacidade de usufruir de experiências emocionais e intelectuais. Como se não bastasse a dificuldade de decidir pelo cérebro alheio, é preciso também considerar a utilização da psicocirurgia com fins “sociais” — seja para suprimir os ímpetos de um psicopata, condenando à morte parte de seu cérebro, ou controlar pacientes rebeldes nas instituições. Afinal, quem não tem seus momentos de rebeldia e desvario? FONTE: Livro: LENT, Roberto. Cem Bilhões de Neurônios? Conceitos fundamentais de neurociência. 2ª Edição. São Paulo: Editora Atheneu, 2010. #neurociências #neuropsicologia #sistemanervoso #neurologista #neurocirurgião #psiquiatra #neuropsicólogo #neurocientista #cognitivo #neurônio #RobertoLent #psicocirurgia #lobofrontal #cérebro #clorpromazina #esquizofrenia #demenciaparalitica

  • Desmistificando o Autismo Leve - Síndrome de Asperger

    Willian Chimura, diagnosticado com Síndrome de Asperger aos 21 anos de idade, é Youtuber em Um Canal Sobre Autismo, Programador, Tecnólogo pela ULBRA, Mestrando em Informática para Educação pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Willian explica: "Meu diagnóstico tardio de autismo poderia ter passado despercebido. Neste vídeo tento expor algumas preocupações em relação às dificuldades de diagnóstico tardio de Síndrome de Asperger e um pouco dos meus próprios desafios ao ser diagnosticado". FONTE: Diagnóstico tardio e seus desafios - Síndrome de Asperger https://www.youtube.com/watch?v=c6Nv5CUgyo4 #asperger #autismoleve #diagnosticotardio #desafios #programador #willianchimura

  • O luto de um relacionamento que você pensou que tinha, mas não tinha.

    Seu namoro dos sonhos não era nada parecido com o relacionamento real. E agora? (Tradução Livre) Como começa No começo, há um namorado hiperfocado. Para muitos casais em que um ou ambos têm TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, os altos níveis de dopamina que acompanham a paixão mascaram o déficit de atenção. Isso ocorre porque o TDAH é causado, em parte, por baixos níveis de dopamina. A "paixão por dopamina", na minha opinião, faz um ótimo trabalho em conectar vocês dois. Meu marido, que tem TDAH, estava muito atento. Ele pensou em coisas incríveis, divertidas e criativas para fazermos juntos, e ele tinha um 'limite' misterioso que tornava o relacionamento ainda mais excitante. Para ele, eu era inteligente, interessante, equilibrada, atenciosa e divertida. Estávamos loucamente apaixonados e começamos a viver juntos depois de três meses. Soa familiar? Infelizmente, essa dopamina extra desaparece de dois a dois anos e meio nos relacionamentos, de acordo com Helen Fisher, autora de Why We Love: The Nature and Chemistry of Romantic Love. De repente, e, muitas vezes, na hora errada, você se depara com um sujeito diferente como parceiro - alguém que mostra os sinais de TDAH - muitas vezes distraído, não particularmente atento, tendo problemas para seguir adiante. Ainda é uma ótima pessoa... mas não exatamente a pessoa com quem você pensou que estava. No namoro, você imagina uma parceria ao longo da vida com um marido atencioso. Quando essa dopamina desaparece, você cai em um relacionamento com um indivíduo distraído, solitário e, às vezes, zangado. No nosso caso, não sabíamos que meu marido tinha TDAH. Isso é comum. Segundo o Dr. Ned Hallowell, atualmente cerca de 80% do TDAH adulto não é diagnosticado. Então, não houve explicação e eu sofri - pensando que meu marido não me amava mais, que ele estava com raiva de mim, que eu tinha feito algo errado. Caímos em todos os comportamentos típicos em que os casais caem quando são afetados pelo TDAH. Toda vez que um sintoma aparecia (digamos distração), eu o interpretava mal (pensando que ele não me amava porque não estava prestando atenção em mim) e ele ficava magoado ou com raiva. Ele respondia com raiva aos meus comentários e ataques, e logo estávamos brigando por brigar. Havia tantas situações, que não entendíamos o que estava acontecendo! Em algum momento, em algum ponto, ambos olham para trás e pensam: “esse tipo de relacionamento não é exatamente o que eu pensava ter me envolvido!” Fiquei triste pelo homem atencioso e prestativo que eu conheci quase nunca prestar atenção em mim. E quando eu estava fora de sua vista, eu estava definitivamente fora de sua mente. Meu marido, por sua vez, ficou triste por pensar que havia se casado com uma pessoa calma e divertida que, na verdade, era uma bruxa irritada, reclamona e irreconhecível. A segunda etapa As respostas variam diante da constatação de que isso não é exatamente o que vocês esperavam. Eu, por exemplo, disse a mim mesma: “bem, se isso é tudo o que há para o romance, é melhor começar minha família!” (Sim, eu sei, não é a primeira estratégia que eu recomendaria agora!) A resposta do meu marido foi de se afastar de mim porque não era bom estar comigo. Esta é uma escolha completamente compreensível para uma pessoa que possui, como o Dr. John Ratey chama, um "cérebro focado em recompensa". Outros ficam amargos e zangados, culpando o parceiro por suas vidas difíceis ou sofrendo, sem entender como lidar com isso ou sem saber do que precisam. Mas, essa dor precisa ser tratada. Por que é importante sentir o luto Nem todos os casais lutam contra o TDAH e reagem ao TDAH. Mas mesmo que você lute, ainda assim terá algum luto a fazer. Seu relacionamento pode não ser o que você sonhou que poderia ser. Isso não significa que é um relacionamento ruim para você ou que você ou seu parceiro são pessoas más. Apenas significa que você foi atingido pelo "Efeito TDAH" e tem alguns obstáculos a superar antes de encontrar a felicidade que procura. Isso também significa que a forma da sua felicidade provavelmente será um pouco diferente da que você imaginou originalmente. E tudo bem. Entretanto, para chegar lá, é extremamente útil lamentar o fato de seu relacionamento ser diferente do que você esperava. Por que eu sou tão fã do luto? Porque, até que você reconheça e aceite que sua realidade é bem diferente do seu sonho, você não poderá aproveitar totalmente sua vida real. Você se torna refém da sua tristeza e este sentimento permeará muitas de suas interações. E você também pode estar arruinando o relacionamento que tem, agarrando-se ao antigo sonho e tentando transformar seu parceiro na pessoa que você sonhava que ele seria (como eu fiz) ou você pode estar no modo 'lutar ou fugir', atacando ou recuando (como meu marido estava). Nenhum deles funciona para você se conectar. O que está em luto? O luto é olhar para a sua tristeza, arrependimento e dor e chegar ao entendimento de que existem alguns acontecimentos que você não pode mudar. Morte, por exemplo, ou um acidente terrível, ou o fato de seu filho ter câncer - essas são as situações normalmente associadas ao luto. O TDAH também é assim. Sim, vocês dois podem melhorar drasticamente seu relacionamento quando chegarem a um lugar em que vocês aceitem 'o que é' e também aprendam 'o que pode mudar', além das conhecidas estratégias de ajuda. Mas, se você se apegar aos seus sonhos antigos de um relacionamento que não existe, terá problemas para encontrar a felicidade que procura no relacionamento atual. Eu estava conversando recentemente com uma mulher que me disse: "Sou uma 'executora' - meu pai tinha câncer e, até o dia em que ele morreu, eu ainda estava procurando o que o curaria". Enquanto ela agora aceita a morte de seu pai como realidade, ela sofre a perda do relacionamento porque ainda quer acreditar que pode "consertar" o problema do TDAH. Ela não está totalmente errada - temos muita influência sobre como vivemos nossas vidas e os dois parceiros podem fomentar melhorias significativas. Entretanto, há algumas situações que não podemos mudar. Podemos usar a ciência para nos manter saudáveis ​​por muito mais tempo. Podemos usar a ciência da saúde mental para melhorar enormemente a vida do adulto com TDAH. Mas não podemos eliminá-lo completamente.* Vivenciar este luto é entender que não somos tão poderosos quanto gostaríamos de ser e que, embora tenhamos influência, nossa influência é limitada. Como você vivencia este luto? O luto é um processo profundamente individual, por isso compartilharei a minha experiência e a de outros. Depois de muitos anos, não podia mais esperar. Minha tristeza pelo abismo óbvio entre sonho e realidade precisava ser explorada. Então, eu escrevi um diário. Eu li. Conversei com amigos e, às vezes, com meu marido, sobre minha tristeza e sua própria tristeza. Eu me cuidei melhor e aprendi a me amar de novo, de modo a estar em uma posição fortalecida para enfrentar melhor essa dor. Eu explorei o que era minha vida e me reconectei com alguns dos meus valores mais importantes. Com essa exploração, tentei separar o positivo do negativo. Essa busca pelo positivo foi uma parte realmente importante do meu luto. Durante os períodos em que me senti sem esperança, era realmente difícil aceitar 'o que era'. Era muito doloroso! Quando eu pude encontrar algumas partes positivas, era mais fácil dizer 'é isso que é'... e existem maneiras de melhorar as partes boas, ao mesmo tempo em que aprendi a negociar os elementos ruins'. Fiquei triste ao pensar nos anos perdidos, mas também esperançosa em pensar em um futuro melhor. Embora o TDAH não seja mutável, a maneira como lidamos com o TDAH certamente é. Educar-me sobre o TDAH foi fundamental. Quando não entendia o TDAH, interpretei mal os comportamentos sintomáticos - quase sempre de maneira negativa. Como exemplo, sua "distração" foi interpretada como falta de afeto e não como sintoma comportamental, não emocional. Se você não entende o TDAH, é difícil não se sentir amarga quando você (incorretamente) pensa que a pessoa que mais deveria te amar, não te ama mais. Cheguei à conclusão de que éramos duas pessoas boas que haviam se perdido. Que tínhamos dado o nosso melhor (a nossa maneira) e que ambos reagimos de maneiras que eram humanas e compreensíveis. Aprendi que não apenas o TDAH do meu marido era um grande problema, mas também minhas respostas ao TDAH dele. Percebi que o que eu precisava era me perdoar por todas as más escolhas que fiz e perdoar meu marido por todos os maus comportamentos e escolhas que ele também fez. Esse perdão me libertou. Eu cheguei a uma conclusão que me ajudou muito ao passar pela minha dor. Nós dois fizemos o melhor que pudemos, com as informações que tínhamos - que estavam incompletas porque faltava o componente TDAH. É triste porque não sabíamos o que estávamos fazendo. Mas eu não podia me apegar à minha ignorância para sempre. Se eu pudesse aceitar minhas próprias ações e perdoá-las, e aceitar as ações do meu marido e perdoá-las, então poderia colocar minha tristeza de forma contextualizada e seguir em frente. Sim, cometemos muitos erros. Sim, tínhamos sonhos com o relacionamento perfeito, que, agora entendi, se baseavam naquela fase curta e hiperfocada do namoro. Eu entendi porque estava triste e achei que seria bom ficar triste... mas continuar carregando essa tristeza não ajudaria. Após aceitação Depois de encontrar a aceitação, eu estava pronta para dar o próximo passo - perguntando “Quero que essa dor se transforme em quê?” Eu tinha certeza de que precisava criar uma vida em que eu fosse feliz e completa e que, EU, era a melhor pessoa para assumir a responsabilidade por isso. Sou a responsável por minha própria felicidade - não é o meu marido, meus filhos ou qualquer outra pessoa. Assim, eu descobri quem eu queria ser (certamente não era aquela bruxa agressiva!) E comecei a agir dessa nova maneira. Munida de conhecimento, pude tratar melhor meu marido, agora com empatia e respeito. Ele respondeu de forma rápida - assumindo firmemente seus problemas com o TDAH, uma vez que estava menos preocupado com as minhas respostas. Não parei de pedir o que precisava, mas agora o fazia com respeito e pude ver o lado dele e o meu. Eu podia agir de maneira amorosa e diminuir minha raiva. Ver minhas mudanças ajudou a inspirar meu marido a começar a me tratar melhor também. Sim, tivemos solavancos, mas conseguimos. Tudo começou comigo, decidindo que não tinha tanto controle quanto pensava. Esse tipo de mudança não altera o fato de que as brigas do início de nosso relacionamento não sejam tristes. Será sempre triste o fato de termos passado alguns anos que deveriam ter sido felizes em uma luta miserável, assim como sempre será triste o falecimento de minha mãe em idade muito precoce, em 2008, e que ela não possa estar por perto para ver seus netos incríveis. Desta forma, em ambos os casos, perguntar: "No que eu quero que essa dor se transforme?" é uma ferramenta útil. Posso usar as informações e a sabedoria que adquiri (junto com os novos conhecimentos de meu marido) para agarrar a vida e criar alegria - não gerando expectativas em sonhos distantes, mas enxergando o agora, o hoje - com base em quem realmente somos. *Cerca de 20 a 30% das crianças diagnosticadas com TDAH não se qualificam para o diagnóstico de TDAH quando adultas. Ainda não é claro por que isso acontece, embora haja a possibilidade de diagnósticos equivocados e de implementação de fortes estratégias de enfrentamento, atenuando os sintomas do TDAH a ponto de não mais encaixar-se nos critérios. O TDAH adulto, no entanto, não desaparece e, de fato, pode se intensificar com a idade. FONTE: https://www.psychologytoday.com/nz/blog/may-i-have-your-attention/201909/grieving-the-relationship-you-thought-you-had-didnt #TDAH #distraçao #hiperfoco #dopamina #sintomas #sinais #relacionamento #tristeza #luto #dor #estrategia #aceitaçao #transformaçao #responsabilidade #familia #psychologytoday

  • LIVRO: Mentes inquietas: TDAH – Desatenção, hiperatividade e impulsividade

    Autora: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva - Médica Psiquiatra, CRM/RJ 5253226/7 Todos já ouvimos falar de crianças hiperativas, que não conseguem ficar paradas, correm de um lado para outro, escalam móveis e vivem “a mil”, como se estivessem plugadas na tomada; ou daquelas desastradas, desajeitadas, que não conseguem prestar atenção em nada, que sonham acordadas e se distraem ao menor dos estímulos. Não raro apresentam dificuldades de aprendizagem e de relacionamento, transformam a sala de aula em campo de batalha, gerando incompreensão de pais, amigos e professores. Frequentemente recebem rótulos de rebeldes, mal-educadas, indisciplinadas, burras, preguiçosas, “cabeças de vento”, birutas, pestinhas… Da mesma forma, é muito comum ouvirmos histórias de adultos (homens e mulheres) desorganizados, enrolados, impacientes, cheios de energia, que estão sempre em busca de algo novo e estimulante, que iniciam vários projetos simultaneamente e os abandonam no meio do caminho. Apresentam altos e baixos repentinos, são impulsivos, esquecem compromissos importantes, perdem objetos constantemente, falam o que lhes dá “na telha”, não param em empregos e trocam de relacionamentos amorosos como se estivessem mudando de roupa. Comportamentos como esses, dependendo da intensidade e da frequência, são característicos do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), popularmente conhecido como hiperatividade, classificado pela Associação de Psiquiatria Americana (APA) 1.O TDAH se caracteriza por três sintomas básicos: desatenção, impulsividade e hiperatividade física e mental. Costuma se manifestar ainda na infância, e, em cerca de 70% dos casos, o transtorno continua na vida adulta. Ele acomete ambos os sexos, independentemente de grau de escolaridade, situação socioeconômica ou nível cultural, o que pode resultar em sérios prejuízos na qualidade de vida das pessoas que o tem, caso não sejam diagnosticadas e orientadas precocemente. Ao longo do livro, você poderá observar que o transtorno se revela de várias formas: em alguns casos, predomina a desatenção 2; em outros, a hiperatividade e a impulsividade 3; em outros, ainda, todos os sintomas se manifestam simultaneamente 4. Assim, com o único propósito de facilitar a leitura, resolvi utilizar a sigla TDA para designar o déficit de atenção em toda a sua gama de manifestações — com ou sem hiperatividade física — e também para adjetivar as pessoas que apresentam esse modo diferente de ser. Tal denominação (TDA) aparecerá com estes dois sentidos: adjetivo e substantivo. No primeiro caso, quando me refiro ao transtorno em si; no segundo, quando me dirijo ao indivíduo com esse funcionamento mental. A pessoa nasce assim, e, portanto, podemos dizer que ela é TDA. Escrever sobre o assunto foi, de certa forma, a maneira que encontrei de homenagear o ser humano, principalmente no que concerne ao seu talento essencial e potencial criativo, algo que os TDAs têm de sobra. Não importa a proporção ou o alcance de seus feitos — mudar o rumo da humanidade ou de apenas uma vida: o que vale é a vontade de realizar algo novo, de abrir novos caminhos. Longe do conceito de doença, a meu ver o TDA é um funcionamento mental acelerado, inquieto, capaz de produzir, incessantemente, ideias que por vezes se apresentam de modo brilhante ou se amontoam de maneira atrapalhada, quando não encontram um direcionamento correto. Posso imaginar a grande multidão de anônimos deslocados em sua vida neste momento, mergulhados em rotinas desgastantes, considerados inadequados ou incompetentes e que, na verdade, carregam na mente tesouros para a humanidade. Também não são poucos os pais — aflitos e exaustos com o caos ocasionado por seus travessos e avoados rebentos — que acreditam ter “falhado” na educação dos filhos. Até hoje, a desinformação acerca do assunto é um dos maiores entraves na vida de um TDA. Por isso, este livro me parece ser um jeito de contribuir para que pessoas com esse comportamento mental (ou as de seu convívio) possam encontrar respostas a tantas indagações, angústias e sofrimentos ao longo da vida. Quem sabe, a partir daí, seja possível dar início ou continuidade ao processo vital e inerente a cada ser humano: a busca da sua felicidade. Não restam dúvidas de que esse processo só pode ser concluído quando talentos e potencialidades forem despertados e direcionados não somente à realização individual, como também em prol de uma sociedade. Afinal, só o saber constitui o verdadeiro poder, tão necessário às mudanças reais. É interessante que, quando penso em TDA, logo me vem à mente a história do Patinho Feio, que acompanhou minha infância e a muitas crianças ainda emociona. Criado como se fosse um pato e considerado diferente dos demais, ele foi rejeitado pela própria mãe. Seu andar desengonçado e sua aparência estranha provocavam risos e desprezo em todos os outros animais. Triste e sozinho no mundo, um dia viu sua imagem refletida num pequeno lago. Percebeu que não era um pato e tampouco feio. Descobriu-se um belo cisne e juntou-se aos seus pares para uma nova vida. No dia a dia, encontramos pessoas que transformam suas histórias comuns em verdadeiros exemplos de criatividade, ousadia e coragem. São muitos TDAs que, de alguma forma e intuitivamente, conseguiram encontrar sozinhos um caminho que lhes possibilitou o aproveitamento de suas habilidades naturais. No entanto, muitos outros permanecem perdidos, tolhidos e inconscientes dos seus próprios talentos, achando-se inferiores e incapazes de colocar em prática os seus projetos mentais. Travam lutas diárias consigo mesmos, percorrem trilhas tortuosas e malsucedidas em busca de ajuda profissional e passam a crer que não servem para nada. São “patinhos feios” tentando, desesperadamente, entender seus desacertos, sonhando com o dia em que se transformarão em belas aves autoconfiantes, cumprindo seus propósitos. Desde a primeira publicação de Mentes inquietas, em 2003, pude perceber que inúmeros leitores se identificavam com a narrativa e os relatos ali descritos e, sem querer, viam-se diante de um espelho em que suas histórias pessoais se refletiam com riqueza de detalhes. Felizmente, muitos procuraram por ajuda especializada, e hoje grande parte deles aceitou e entendeu seu modo de ser, mudou sua maneira de agir e pensar e conseguiu canalizar seus impulsos e ideias para algo realmente produtivo. Transformaram-se em cisnes reais. Nesta nova publicação, foram feitas várias alterações, que os leitores das edições anteriores perceberão; a começar pelo ajuste no subtítulo e pela nova sigla que passei a adotar – antes DDA, agora TDA. As medicações utilizadas para minimizar os desconfortos causados pelo transtorno foram atualizadas e, por fim, acrescentei um tópico com dicas para o gerenciamento do TDA na escola. Acredito que o esforço de pais, educadores e terapeutas faz a grande diferença para que os TDAs possam reconstruir sua autoestima e despertar o que têm de melhor: o seu potencial criativo. Nunca me propus a desenvolver uma obra com abuso de termos técnicos ou de profundidade tamanha a dificultar a leitura do leigo. Deixo isso para os livros acadêmicos, as pesquisas e os artigos científicos. Uma abordagem técnica, aqui, só aumentaria a lacuna que existe entre aquele que sofre e a informação de que necessita para dar o primeiro passo rumo ao seu conforto vital. Procurei uma linguagem clara, fluida, de fácil entendimento e com ilustrações de casos obtidos por meio da minha prática clínica diária. Busquei dar destaque à essência TDA e, como uma “escafandrista”, tentei apresentar facetas íntimas desse universo que, embora já amplamente divulgado, ainda é pouco conhecido pelos profissionais de saúde, de educação e do grande público em geral. Acredito que o esforço de pais, educadores, terapeutas e da sociedade como um todo faz a grande diferença para que os TDAs possam reconstruir sua autoestima e despertar o que tem de melhor: o seu potencial criativo. Espero iniciar aqui a abertura, mesmo que de modo parcial, do grande leque que o termo TDA representa. __________________________________________________  1 Descrito em DSM‑IV‑TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, 4ª edição, texto revisado. 2 Tipo predominantemente desatento. 3 Tipo predominantemente hiperativo-impulsivo. 4 Tipo combinado. FONTE: http://draanabeatriz.com.br/portfolio/mentes-inquietas-tdah-desatencao-hiperatividade-e-impulsividade-intro/ #TDAH #deficit #atençao #desatençao #hiperatividade #impulsividade #mentesinquietas #livro #TDA #criatividade #DSM

  • Nova edição do “IPq Portas Abertas” traz enfoque em suicídio e saúde mental

    A nona edição do evento incluirá palestras sobre diversas áreas da psiquiatria e atividades que priorizam a preservação da mente O evento IPq Portas Abertas, organizado pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, retorna em setembro, com sua nona edição, e o foco este ano é o suicídio. Iniciado em 2011, o objetivo do evento é o combate ao preconceito contra os transtornos psiquiátricos e seus tratamentos. Quem explica como isso é feito e como funciona o evento é o professor Taki Cordás, do IPq. O professor, que faz parte da organização, comenta que as palestras abordarão uma diversidades de temas do meio, como depressão, ansiedade, transtornos alimentares e demais transtornos psiquiátricos. Além das palestras, ocorrerão também diversas atividades focadas na melhora do estilo de vida e preservação da saúde mental. O IPq Portas Abertas acontece dia 06 de setembro, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, na Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 785 - Cerqueira César, São Paulo. Tem início às 8h e encerramento às 17h. O evento é gratuito, e as inscrições devem ser realizadas diretamente no site do evento. ESCOLHA 5 PALESTRAS E FAÇA SUA INSCRIÇÃO GRATUITAMENTE!! FONTE: https://jornal.usp.br/atualidades/nova-edicao-do-ipq-portas-abertas-traz-enfoque-em-suicidio-e-saude-mental/ #IPq #portasabertas #suicidio #saude #USP #jornal #depressao #ansiedade #transtornosalimentares

  • Os mistérios e a infinita capacidade da nossa memória - Globo Repórter

    Nesta sexta (2), o Globo Repórter mostrou os novos caminhos para fortalecer o cérebro e fugir do esquecimento. Veja o que a ciência recomenda hoje! Verdadeiro ou Falso? Veja o que é mito ou verdade quando o assunto é memória. Atenção e emoção são os maiores reforços para a nossa memória. Verdadeiro ✅ A porta de entrada da memória é a atenção, algo muito difícil de manter no bombardeio de informações do mundo atual. Especialistas explicam que, além da atenção, o que vai fixar a informação no cérebro é a emoção. As duas juntas são os maiores reforços para a nossa memória. Existem comidas específicas que ajudam na memória. Verdadeiro ✅ A Dieta Mind foi criada a partir de uma pesquisa feita em um centro de Alzheimer de Chicago, nos Estados Unidos. Segundo esta dieta, há dez tipos de alimentos saudáveis principais que devem ser consumidos. Quase mil pessoas com mais de 50 anos foram acompanhadas durante cinco anos nesta pesquisa. Quem adotou a dieta teve menos perda de memória. A Mind funciona como prevenção ao longo da vida. A alface é o alimento principal da Dieta Mind, a dieta da memória. Falso ❌ Rainha de todas as dietas, a alface não é indicada para a Mind. Nesta dieta se indica o consumo de verduras com folhas mais escuras, como couve, espinafre e agrião. Atividade física não faz diferença quando o assunto é memória. Falso ❌ Uma pesquisa da Unicamp investigou a memória de 40 idosos e o que os especialistas revelaram é: a atividade física melhora a qualidade de vida, inclusive na questão da memória. O grupo que fez exercícios regulares três vezes por semana apresentou um aumento de volume no hipocampo e um melhor desempenho em testes de memória depois de seis meses. Já o grupo que não treinou apresentou declínio ainda maior na memória. Métodos de memorização de estudo valem para todas as pessoas. Falso ❌ O Globo Repórter mostrou a história do Gabriel, que inventou um método colocando bilhetes na parede do quarto para se lembrar de tudo que tinha estudado. Mas atenção: cada aluno deve buscar o método que se adapta melhor. Alguns preferem música, escrita, leitura. Tanto faz o seu. Se aprimore e saiba o que funciona melhor para você. Os jovens também sofrem com o esquecimento. Verdadeiro ✅ Se engana quem acha que os problemas de memória só chegam quando a idade avança. Apesar da energia de sobra, os jovens enfrentam outros inimigos silenciosos da memória. Eles dizem que a pressão, a agitação e o estresse atrapalham muito, principalmente na escola, onde o cérebro é tão cobrado. No caso dos jovens, a ansiedade é a maior inimiga. E a meditação é o antídoto para evitar lapsos e esquecimentos. Hormônio liberado durante o exercício pode ajudar a evitar a perda de memória. Verdadeiro ✅ Um estudo da UFRJ publicado na revista 'Nature Medicine' revelou este ano que o hormônio chamado irisina é liberado durante os exercícios e tem a capacidade de recuperar a memória em animais com Alzheimer. A próxima etapa é tentar comprovar se a irisina vai ter um efeito benéfico na memória em humanos. Histórias carregadas de emoção são as mais resistentes na cabeça das pessoas. Verdadeiro ✅ Quem estuda o cérebro afirma que as memórias dolorosas chegam sempre mais cheias de detalhes e também são mais difíceis de esquecer. Inclusive para os mais velhos. Coisas que têm relevância emocional, por exemplo, são mais facilmente armazenadas do que quando você quer estudar para uma prova cujo tema não está muito interessado ou não te causa muito impacto emocional. FONTE: https://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2019/08/02/veja-na-integra-o-globo-reporter-que-investigou-os-misterios-da-nossa-memoria.ghtml #memória #neuropsicologia #cognitivo #atenção #emoção #neurociências #irisina #alzheimer #meditacao #ansiedade #exerciciofisico #hc #unicamp #ufrj #globoreporter #mind

  • Brasileiro recebe prêmio científico nos EUA

    André Julião  |  Agência FAPESP – O pesquisador Felipe Fregni, professor associado da Harvard Medical School e professor visitante da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP, foi um dos contemplados com o Presidential Early Career Award for Scientists and Engineers - PECASE - em 2019, maior honraria científica concedida pelo governo dos Estados Unidos para jovens pesquisadores. Fregni coordena, desde 2018, o projeto “O déficit da inibição como marcador de neuroplasticidade na reabilitação”, financiado pela FAPESP por meio da modalidade São Paulo Excellence Chair - SPEC - e conduzido com pesquisadores do Departamento de Reabilitação da FMUSP. Nos Estados Unidos desde 2003, Fregni, 44 anos, é diretor do Centro de Neuromodulação no Hospital de Reabilitação Spaulding, em Boston. A cerimônia de premiação será realizada pela Casa Branca hoje, dia 25, no DAR Constitution Hall, em Washington, onde os premiados deverão ser recebidos pelo presidente Donald Trump. Criado em 1996, o PECASE é destinado a cientistas e engenheiros reconhecidos como jovens lideranças em ciência e tecnologia. A última edição do prêmio ocorreu em 2016. A pesquisa busca entender os mecanismos de neuroplasticidade envolvidos no processo de reabilitação motora. Em um grupo de cerca de 500 voluntários, com quatro diferentes condições (que sofreram acidente vascular cerebral, lesão medular, amputações ou osteoartrose), os pesquisadores utilizam diferentes técnicas de ressonância magnética e medições eletrofisiológicas – antes e depois do período de reabilitação – a fim de compreender os mecanismos de neuroplasticidade envolvidos na recuperação de movimentos. Fregni explica que o objetivo é encontrar os chamados biomarcadores neurofisiológicos, que ajudarão no aperfeiçoamento científico e terapêutico da reabilitação. “Queremos entender como essas redes inibitórias estão relacionadas aos desfechos clínicos e usar isso justamente para desenvolver novos tratamentos”, disse à Agência FAPESP. “Temos cerca de 80 bilhões de neurônios. Para falar, por exemplo, é preciso inibir boa parte deles para ativar uma rede neuronal muito menor, que vai mexer os músculos da boca e da língua, entre outros. Pacientes em coma, por exemplo, têm desorganização cerebral, ou seja, tudo funciona ao mesmo tempo de forma desordenada. As redes inibitórias são importantes para fazer essa organização cerebral. Nossa hipótese é que elas têm um papel fundamental na reabilitação”, disse Fregni. Segundo o pesquisador, o projeto é uma decorrência da intensa colaboração que mantém com o Brasil desde que se mudou para os Estados Unidos. “Não tenho dúvida de que esse fator foi fundamental para receber essa honraria. De certa forma, estou dividindo o prêmio com os parceiros brasileiros”, disse. Os vencedores do PECASE são escolhidos pelos National Institutes of Health e indicados por diferentes órgãos governamentais ligados à saúde e pesquisa científica em todos os estados americanos. Fregni foi indicado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. O pesquisador conta que soube da indicação há dois anos e ficou surpreso quando recebeu a notícia de que foi um dos contemplados, no anúncio oficial ocorrido no dia 2 de julho. FONTE: http://agencia.fapesp.br/lider-de-projeto-spec-fapesp-ganha-prestigioso-presidential-early-career-award-dos-eua/31047/ www.nsf.gov/awards/pecase.jsp #Fregni #premio #cientifico #ciencia #tecnologia #pecase #eua #scientists #engineers #cerebro #neuroplasticidade #neuromodulaçao #neuronios #reabilitaçao #biomarcador #AVC #pesquisador #fapesp #fmusp

  • Neurocientista brasileira da Rede Sarah recebe prêmio internacional

    A neurocientista e presidente da Rede Sarah de hospitais, Lúcia Willadino Braga, recebeu ontem, no Rio de Janeiro, o prêmio Distinguished Career Award, da Sociedade Internacional de Neuropsicologia (INS, na sigla em inglês). O prêmio é concedido a cientistas com anos de carreira, que tenham dado contribuições importantes para o setor. Há 40 anos na Rede Sarah, Lúcia é a primeira pessoa latino-americana a receber a premiação. "O que eu acho legal deste momento é que o Brasil faz parte da construção do conhecimento internacional em neurociência. Então, nós estamos gerando o conhecimento. Isso é muito importante para o país", diz Lúcia. Agência Brasil: De quarenta anos para cá mudou muito na neuropsicologia? Lúcia Braga: Nessa época só tinha o raio-X, nem tomografia havia. Então, tudo a gente tinha que provar pelo comportamento. E hoje, a gente pode comprovar as mudanças no comportamento e as mudanças que ocorrem no cérebro. Hoje, a gente entende muito mais o cérebro. Depois que vieram os equipamentos de neuroimagem, a gente pôde ver o cérebro funcionando, ficou muito mais profunda a nossa análise sobre tudo o que acontece no cérebro e começamos a descobrir muitas coisas que nós não sabíamos. Os últimos anos têm tido inúmeras descobertas, por parte de todos nós, neurocientistas, em função de ganhos tecnológicos de diagnósticos. Agência Brasil: Aos 50 ou 60 anos a pessoa tem que continuar a estudar, para manter a neuroplasticidade?  Lúcia Braga: Vou mostrar em minha palestra [no segundo dia do encontro] o que muda na substância cinzenta e na substância branca do cérebro quando a gente aprende. Então, isso é a importância do aprender. O estudo é permanente e você pode continuar desenvolvendo novas redes neuronais depois dos 50 ou 60 anos. Pode e deve. Antes, se achava que não se podia mais. Que a partir de um momento você já estava com o cérebro construído. O que há, é uma especialização do cérebro durante a vida. O cérebro do adulto já está mais organizado que o da criança, que tem mais plasticidade. Mas não significa que esteja estagnado. A gente tem que continuar em frente. Aprendendo coisas, trocando ideias, trocando conhecimentos. Toda a aprendizagem exercita o cérebro. Agência Brasil: Como funciona a Rede Sarah? Tem aporte privado? Lúcia Braga: A Rede Sarah é 100% pública. E isso prova que o serviço público pode funcionar, sim. Com boa gestão, transparência, governança e cuidado, a gente vai mostrando que nós temos todo um Brasil possível. Precisamos olhar mais para esse país. São nove unidades. Temos hospitais em Brasília, São Luís, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Belém, Macapá, Rio de Janeiro. Atendemos 1,7 milhão de pessoas por ano. Fazemos um atendimento todo humanista, com evidências científicas. É um atendimento todo público. A entrada é pelo site. Basta a pessoa entrar. Quem não tem acesso por internet, pode ligar. FONTE: https://www.istoedinheiro.com.br/neurocientista-brasileira-da-rede-sarah-recebe-premio-internacional/ #neuropsicologia #neurociencias #premio #internacional #sarah #hospital #DistinguishedCareerAward #luciabraga #cerebro #neuroplasticidade #conhecimento

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