As Sete Dimensões da ABA e a Oitava Dimensão: Compaixão
- Livia Furlan Barbosa Carreira
- 6 de jan.
- 2 min de leitura

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA - Applied Behavior Analysis) baseia-se na crença de que a mudança de comportamentos pode melhorar a qualidade de vida. Seu objetivo sempre foi ajudar os indivíduos a alcançar metas importantes e a melhorar suas vidas de acordo com suas próprias escolhas.
Por mais de meio século, essa abordagem comprovou seu valor. No entanto, crescem as preocupações com a aplicação problemática dos princípios comportamentais, sugerindo que, com o desenvolvimento da disciplina, podemos ter perdido de vista a importância de intervenções e resultados centrados na pessoa.
Sendo assim, há uma proposta de uma nova concepção da prática da ABA, integrando a Compaixão às dimensões que caracterizam a área desde 1968. Tornar a Compaixão uma dimensão fundamental da ABA permitirá que os analistas do comportamento se reconectem com uma abordagem de intervenção atenciosa, colaborativa e humilde, trabalhando tanto com os clientes quanto com os críticos, e estando abertos a perspectivas que possam aprimorar a prática.
1. Aplicada - Refere-se à relevância social do comportamento-alvo. O comportamento deve ter importância para a pessoa que recebe a intervenção, não apenas para o terapeuta ou instituição. Foca em comportamentos que têm significado para o indivíduo.
2. Comportamental - Envolve comportamento observável e mensurável.
3. Analítica - Demonstra relação funcional entre variáveis (A-B-C).
4. Tecnológica - Procedimentos são descritos de forma clara e replicável.
5. Conceitualmente Sistemática - Intervenções baseadas em princípios do comportamento.
6. Eficaz - Mudança significativa no comportamento.
7. Generalizável - Comportamento ocorre em diferentes contextos.
A Oitava Dimensão: Compaixão
Compaixão = Empatia + Ação ética
Olhar o mundo pela perspectiva do cliente e minimizar sofrimento.
A dimensão da compaixão é vital, pois aborda o aspecto humano da terapia, garantindo que todas as práticas não apenas sejam eficazes, mas também éticas e centradas no bem-estar do cliente.
Compaixão na Prática
Avaliar função do comportamento, não punir. Incluir família nas decisões. Respeitar tempo do cliente.
Exemplo: adolescente com recusa escolar → plano gradual e empático.
Comunicação Transparente: Manter uma comunicação clara e aberta com as famílias e outras partes envolvidas, explicando os processos de intervenção de maneira acessível e sem jargões técnicos.
Ao longo dos últimos 50 anos, a ABA melhorou a vida de indivíduos autistas e com Deficiência Intelectual - DI. Mas também produziu resultados negativos e não intencionais. A área tem sido criticada por esses resultados, enquanto há a luta para adaptar e modificar a ciência aplicada a fim de aprimorar os serviços para uma população com a qual há uma importância profunda. Há uma clara ironia no fato de que, em uma área de profissionais especializados em habilidades e estratégias para modificar comportamentos, luta-se para mudar os seus próprios comportamentos.
É esse sentimento que leva a avaliar e modificar continuamente a aplicação da ciência, contextualizando o trabalho com compaixão e identificando o que pode ser alterado ou modificado para atender às necessidades das populações autistas e com DI de forma mais eficaz. Essa reavaliação é necessária para garantir que seja oferecida uma intervenção com compaixão e de alta qualidade, com foco na melhoria contínua.
FONTE: Palestra por: Fábio Coelho no Simpósio TEA
Análise do Comportamento Aplicada (ABA) na prática humanizada
Compassion: The Eighth Dimension of Applied Behavior Analysis

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