Cientistas Sul-Coreanos Desenvolveram uma Ferramenta de InteligĂȘncia Artificial com Fotografia da Retina para a Triagem de TEA
- 26 de dez. de 2023
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Os cientistas utilizaram Algoritmo de Aprendizado Profundo, usando fotos das retinas de 958 crianças e adolescentes e combinaram esse banco de imagens com os resultados dos testes de sintomas de TEA - Transtorno do Espectro Autista. Depois da conclusĂŁo, o modelo de IA - InteligĂȘncia Artificial - teve 100% de precisĂŁo no rastreio dos pacientes com TEA. As descobertas sugerem que as imagens da retina podem fornecer informaçÔes adicionais sobre a gravidade dos sintomas do TEA.
Na parte posterior do olho, a retina e o nervo óptico se conectam ao disco óptico. A estrutura é uma extensão do sistema nervoso central, sendo uma janela para o cérebro. A partir disso, os cientistas começaram a acessar, de forma fåcil e não invasiva, essa parte do corpo para obter informaçÔes importantes relacionadas ao cérebro.
Recentemente, pesquisadores do Reino Unido criaram um meio não invasivo de diagnosticar rapidamente uma concussão, iluminando a retina com um laser seguro para os olhos. Agora, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Yonsei, em Seoul, na Coreia do Sul, desenvolveram um método para rastrear o TEA com fotografias da retina, examinadas por um algoritmo de IA.
Os pesquisadores recrutaram 958 participantes com idade mĂ©dia de 7,8 anos e fotografaram suas retinas, resultando em um total de 1.890 imagens. Metade dos participantes foi diagnosticada com TEA e metade eram controles de mesma idade e gĂȘnero. A gravidade dos sintomas de TEA foi avaliada, utilizando pontuaçÔes calibradas pela ADOS-2 - Escala de Observação de DiagnĂłstico de Autismo - Segunda Edição (nota de corte 8) e pontuaçÔes da SRS-2 - Escala de Responsividade Social - Segunda Edição (nota de corte 76).
Uma Rede Neural Convolucional, que é um Algoritmo de Aprendizado Profundo, foi treinada usando 85% das imagens da retina e pontuaçÔes de testes de gravidade dos sintomas para construir modelos para rastrear o TEA e a gravidade dos sintomas. Os 15% restantes das imagens foram retidos para teste.
âNossos modelos tiveram desempenho promissor na diferenciação entre pessoas com TEA e DT â crianças/adolescentes com desenvolvimento tĂpico - usando fotografias da retina, o que implica que as alteraçÔes retinianas no TEA podem ter valor potencial como biomarcadoresâ, comentaram os cientistas.
âNossas descobertas sugerem que as fotografias da retina podem fornecer informaçÔes adicionais sobre a gravidade dos sintomasâ, disseram os pesquisadores. âObservamos que a classificação viĂĄvel era alcançåvel apenas para pontuaçÔes ADOS-2 e nĂŁo para pontuaçÔes SRS-2. Isso pode ocorrer porque o ADOS-2 Ă© conduzido por um profissional treinado e com tempo suficiente para avaliação, enquanto o SRS-2 normalmente Ă© respondido por um cuidador em alguns minutos. Assim, o primeiro refletiria o estado de gravidade de uma pessoa com mais precisĂŁo do que o Ășltimo.â
Os participantes do estudo tinham de 4 a 18 anos de idade. Com base nas descobertas, os cientistas dizem que o modelo baseado em IA poderia ser usado como uma ferramenta de triagem objetiva a partir dos 4 anos de idade, jå que a retina do recém-nascido continua a crescer até essa idade. São necessårias mais pesquisas para determinar se a ferramenta seria precisa para participantes mais jovens.
LimitaçÔes
Este estudo teve vĂĄrias limitaçÔes. Primeiro, usamos um conjunto de dados unicĂȘntrico, o que pode limitar a generalização de nossas descobertas. No entanto, isso nos permitiu confirmar o potencial das fotografias da retina como candidatas viĂĄveis para ferramentas de triagem para o TEA, controlando a variabilidade esperada devido Ă s configuraçÔes da foto da retina. Estudos futuros que utilizem conjuntos de dados multicĂȘntricos seriam benĂ©ficos. Em segundo lugar, as fotografias da retina podem nĂŁo ser suficientes para rastrear a gravidade dos sintomas pois sĂł podem avaliar alteraçÔes da retina num espaço bidimensional, entretanto a retina Ă© uma estrutura tridimensional com mĂșltiplas camadas. Portanto, mais estudos, utilizando Tomografia de CoerĂȘncia Ăptica, sĂŁo necessĂĄrios. Terceiro, as reaçÔes aos medicamentos utilizados pelos participantes com TEA, que poderiam ter afetado a retina, nĂŁo foram totalmente controladas. No entanto, nĂŁo houve nenhuma evidĂȘncia corroborante em relação Ă s alteraçÔes secundĂĄrias na CFNR - Camada de Fibras Nervosas da Retina ou no disco Ăłptico relacionadas Ă toxicidade de medicamentos antipsicĂłticos atĂpicos. Estudos futuros envolvendo pacientes com TEA sem medicação prĂ©via sĂŁo necessĂĄrios para investigar essa relação. Quarto, a exclusĂŁo de condiçÔes mĂ©dicas, neurolĂłgicas e psiquiĂĄtricas, concomitantes sugere que nossos modelos podem ser aplicados apenas a uma parcela de indivĂduos com TEA na prĂĄtica clĂnica, uma vez que hĂĄ uma quantidade substancial de pessoas com TEA com condiçÔes coexistentes. No entanto, esta abordagem nos permitiu investigar a associação entre o TEA e a retina, ao mesmo tempo que mitigava a influĂȘncia potencial dessas condiçÔes. Quinto, nossos modelos limitaram-se a diferenciar sujeitos com TEA e DT; o principal desafio continua a ser distinguir o TEA de uma infinidade de outros transtornos do neurodesenvolvimento ou psiquiĂĄtricos, o que justifica uma investigação mais aprofundada.
ConclusÔes
Este estudo diagnĂłstico examinou o potencial dos Algoritmos de Aprendizado Profundo para rastrear TEA e possivelmente a gravidade dos sintomas usando fotografias da retina. Nossos achados sugerem que a ĂĄrea do disco Ăłptico Ă© crucial para diferenciar indivĂduos com TEA e DT. Embora estudos futuros sejam necessĂĄrios para estabelecer a generalização, nosso estudo representa um passo notĂĄvel no desenvolvimento de ferramentas objetivas de triagem do TEA, que podem ajudar a resolver questĂ”es urgentes, como a inacessibilidade a avaliaçÔes especializadas em psiquiatria infantil devido a recursos limitados.
FONTE: Faculdade de Medicina da Universidade Yonsei via Scimex.
Kim JH, Hong J, Choi H, et al. Development of Deep Ensembles to Screen for Autism and Symptom Severity Using Retinal Photographs. JAMA Netw Open. 2023;6(12).
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